Helenismo. Um período de transição

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Escola de Atenas. Afresco de Rafael (1509-1510)

O Helenismo foi um período de transição que marcou a civilização grega para a romana com a sua força cultural. Não se encontra nela o esplendor literário e filosófico do período áureo da Grécia, mas divisa-se um grande surto da ciência e da erudição. Chama-se civilização helenística a que se desenvolveu fora da Grécia, sob influência do espírito grego.
Compreendida entre os séculos III e II a.C., no qual os gregos estiveram sob o domínio do Império Macedônico. Foi tão grande a influência grega que, após a queda do Império, a cultura helenística continuou predominando em todos os territórios anteriormente por eles dominados. Entre os séculos II e I a.C., os reinos helenísticos foram aos poucos sendo conquistados pelos romanos.

Império Macedônico

Alexandre Magno

Os macedônios habitavam a região situada no norte da Grécia. Durante muito tempo esses povos eram chamados de bárbaros pelos habitantes da Hélade, região entre a Grécia central e a do norte – cujos habitantes eram chamados de Helenos – ainda que, como eles, fossem de origem indo-europeia.
Em 338 a.C. os gregos foram derrotados na Batalha de Queronéia, pela forças macedônicas, que em pouco tempo dominaram toda a Grécia. Em 336 a.C., o imperador Felipe II é assassinado, assumindo o trono, seu filho, Alexandre Magno que, durante dez anos de seu reinado (333-323 a.C.), conquistou extensa região, formando o maior império até então conhecido.
O império de Alexandre Magno se estendeu pelo Egito, Mesopotâmia, Síria, Pérsia e Índia. Essas conquistas ajudaram a formar uma nova civilização. Adotando o grego como língua comum, iniciou-se um processo de interpenetração cultural, onde algumas instituições permaneceram próximas ao padrão grego e em outras prevaleceu elementos orientais. É com essa civilização mista que se dá início ao período helenístico.
Depois da morte de Alexandre, sem deixar herdeiros, o império foi dividido entre seus generais, formando três grandes reinos: Ptolomeu (Egito, Fenícia e Palestina), Cassandro (Macedônia e a Grécia) e Seleuco (Pérsia, Mesopotâmia, Síria e Ásia Menor). Assim, surgiram dinastias de soberanos absolutistas que enfraqueceram a unidade mantida nos tempos de Alexandre e aos poucos foram caindo sob o domínio romano.

A Civilização Helenística

A civilização helenística foi o resultado da fusão de diversas sociedades, principalmente grega, persa e egípcia. A grande obra de Alexandre Magno no plano cultural sobreviveu ao esfacelamento de seu império territorial. O movimento expansionista promovido por Alexandre, foi responsável pela difusão da cultura grega pelo Oriente, fundando cidades (várias vezes batizadas com o nome de Alexandria) que se tornaram verdadeiros centros de difusão da cultura grega no Oriente.
Nesse contexto, elementos gregos acabaram-se fundindo com as culturas locais. Esse processo foi chamado de Helenismo e a cultura grega mesclada a elementos orientais deu origem à Cultura Helenística, numa referência ao nome como os gregos chamavam a si mesmos – Helenos.
Os Helenos desenvolveram a pintura e a escultura, onde retratavam com perfeição a natureza e o movimento dos corpos, um exemplo é a escultura de mármore, “Laocoonte e seus filhos“.
O pensamento filosófico helenístico era dominado por duas correntes: o Estoicismo, que acentuava a firmeza do espírito, a indiferença à dor, a submissão à ordem natural das coisas e a independência em relação aos bens materiais; e o Epicurismo, que aconselhava a busca do prazer.
No Oriente Médio, os principais centros de cultura helenística foram Alexandria (no Egito), Pérgamo (Ásia Menor) e a ilha de Rodes, no mar Egeu, com seus grandes palácios de mármore, ruas amplas, escolas, bibliotecas, teatros, academias, museus e até um Instituto de Pesquisas. Sua arquitetura impressiona pela riqueza e pelo porte, como o altar de Zeus em Pérgamo (180 a.C.), que foi reconstituído e encontra-se no Museu de Berlim.

Cultura Helenística

Laocoonte, escultura em mármore, nos Museus Vaticanos.

Cultura Helenística foi o resultado da fusão dos elementos da cultura helênica grega com a cultura ocidental, destacando-se com elementos originais e marcantes, que caracterizou as regiões conquistadas pelo Império de Alexandre Magno.
Hélade, região entre a Grécia central e a do norte, cujos habitantes, os helenos, emprestaram seu nome à civilização helenística, que se estendeu Oriente afora, por meio não só de uma língua comum (koiné) mas também através das práticas da educação, do artesanato, do comércio e da escultura.
Durante 13 anos Alexandre Magno (336-323 a.C.) conquistou o Egito, a Mesopotâmia, a Síria, a Pérsia e chegou até a Índia. Com a Macedônia e a Grécia, estas regiões formaram o maior império até então conhecido. Suas conquistas favoreceram o surgimento de uma nova cultura herdada da grega, mas diferente dela pela enorme dosagem de elementos orientais – chamada de “Cultura Helenística” ou “Helenismo”.

Arte na Cultura Helenística

O Helenismo caracterizou-se por apresentar uma arte mais realista, exprimindo violência e dor, componentes constantes dos novos tempos de guerra. A Cultura Helenística substituiu a concepção clássica de que o “homem é a medida de todas as coisas” pelo monumentalismo, pessimismo, negativismo e relativismo.
Os principais centros de difusão dos valores do Helenismo e da Cultura Helenística foram: Alexandria (Egito), Pérgamo (Ásia Menor) e a Ilha de Rodes, no mar Egeu.
O Helenismo desenvolveu uma arquitetura onde predominavam o luxo e a grandiosidade, pela imponência do Império Macedônico. Alexandria possuía numerosas construções públicas e particulares, palácios de mármore e templos, destacando-se sua monumental Biblioteca de Alexandria, com milhares de papiros. O Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, localizada em frente a cidade, na Ilha de Faros, e o Altar de Pérgamo dedicado a Zeus (reconstituído no Museu Real de Berlim).
A Cultura Helenística se destacou na arte da Escultura, com suas obras monumentais, entre elas, Laocoonte e seus filhos (Museu do Vaticano, Roma), a Vênus de Milo, escultura da deusa Afrodite, encontrada na Ilha de Milo (Museu do Louvre, Paris) e a Carregadora de Água (Museu Capitolino, Roma).

Filosofia na Cultura Helenística

Na Filosofia, o Helenismo fez surgir novas correntes filosóficas, tais como:

  • Estoicismo: fundada por Zênon de Cítion, defendia a felicidade como equilíbrio interior, no qual oferecia ao homem a possibilidade de aceitar, com serenidade, a dor e o prazer, a ventura e o infortúnio.
  • Epicurismo: fundada por Epicuro de Samos, que pregava a obtenção do prazer, base da felicidade humana, e defendia o alheamento dos aspectos negativos da vida.
  • Ceticismo: fundada por Pirro, caracterizava-se pelo negativismo e defendia que a felicidade consiste em não julgar coisa alguma, desprezava as coisas materiais pois afirmava que todo conhecimento humano é relativo.

Ciências na Cultura Helenística

Na Matemática do Helenismo sobressaíram Euclides e Arquimedes, que desenvolveram a Geometria. Euclides utilizou a Geometria nos seus estudos de Física. A Física (mecânica) mereceu também atenção especial por parte de Arquimedes, tornando possível a invenção de novas armas de ataque e defesa.
Na Astronomia destacaram-se Aristarco e Hiparco na tentativa de medir o diâmetro da Terra e as distâncias do nosso planeta ao Sol e à Lua. Aristarco lançou a hipótese heliocêntrica, isto é, a de que a terra e os planetas giravam em torno do Sol, que não foi aceita na época.
A divisão do Império Macedônico que se seguiu à morte de Alexandre e as sucessivas lutas internas, resultaram no enfraquecimento político, o que possibilitou a conquista romana, concretizada durante os séculos II e I a.C. Porém, mesmo conquistando a Grécia, Roma teve que se curvar ao esplendor da Cultura Helenística.

O Helenismo e o Cristianismo

Emboscada e morte de Jônatas Macabeus

A Palestina é a região onde o cristianismo deu os seus primeiros passos. Terra sofrida, principalmente por causa de sua localização geográfica, que a colocava na encruzilhada de grandes rotas comerciais que uniam o Egito à Mesopotâmia, e a Arábia com a Ásia menor. No século IV a.C, com Alexandre e suas hostes macedônicas, um novo contendente entrou na arena. Ao derrotar os persas, Alexandre se fez dono da Palestina. Após a morte de Alexandre no ano de 323 a.C., seguiram-se longos anos de instabilidade política. A dinastia de Ptolomeus, fundada por um dos generais de Alexandre, se apoderou do Egito, enquanto que os Selêucidas, se fizeram donos da Síria. E, é claro que isso veio a ser motivo de discórdia entre os Ptolomeus e Selêucidas.
As conquista de Alexandre tiveram uma base ideológica. O propósito de Alexandre não era só de conquistar o mundo, porém ele queria unir toda humanidade em uma única civilização de tendências totalmente grega. O resultado disto foi o helenismo, que tendia a combinar elementos puramente gregos com outros tomados de diversas civilizações conquistadas.
Mas para os judeus o helenismo era uma maldição, visto que parte da ideologia do helenista consistia em equiparar e confundir os deuses de diversos povos e, portanto, seria uma séria ameaça à fé no Deus único de Israel. Isso resultou em conflitos constantes entre os adeptos ao helenismo e os judeus, que se estendeu desde a conquista de Alexandre até o ano de 70 d.C.
O ponto culminante dessa luta foi a rebelião dos Macabeus. Primeiro o sacerdote Matatias e depois seus três filhos Jônatan, Judas e Simeão, se rebelaram contra o helenismo dos Selêucidas, que pretendiam impor deuses pagãos entre os judeus. O movimento teve suas vitórias. Mas João Hircano, o filho de Simeão Macabeus, começou adaptar-se aos costumes dos povos circunvizinhos e a favorecer as tendências helenistas. Quando alguns dos judeus mais restritos se opuseram a esta política, rompeu-se a perseguição. Por fim, no ano de 63 a.C. o romano Pompeu conquistou o país e depôs o último dos Macabeus, Aristóbulo II.
A política dos romanos era, em geral, tolerante em relação à religião e aos costumes dos povos conquistados. Pouco tempo depois da deposição de Aristóbulo, os romanos devolveram aos descendentes dos Macabeus certa medida de autoridade, dando-lhes os títulos de sumo-sacerdote e etnarca. Herodes, nomeado rei da Judéia no ano 40 a.C., foi o último governante com certa ascendência macabéia, pois sua esposa era dessa linhagem.
Mas até a própria tolerância dos romanos não podia compreender a obstinação dos judeus, que insistiam em render culto somente ao seu Deus e que se rebelaram ante a menor ameaça contra sua fé. Herodes fez todo o possível para introduzir o helenismo no país. Com esse propósito fez construir templos em honra a Roma e a Augusto em Samaria e Cesaréia. Mas, quando se atreveu a colocar uma águia de ouro na entrada  do Templo, os judeus se revoltaram e Herodes teve que recorrer à violência.
Por esta razão as rebeliões sucederam quase que ininterruptamente. Jesus era menino quando os judeus se rebelaram contra o etnarca Arquelau, que teve que recorrer às tropas romanas. Essas tropas, sob o comando do general Varo, destruíram a cidade de Séforis, capital da Galileia e vizinha de Nazaré, e crucificaram dois mil judeus. É a esta rebelião que se refere Gamaliel ao dizer que “levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e levou muitos consigo” (Atos 5:37). O partido dos zelotes, que se opunha tenazmente ao regime romano, continuou existindo depois das atrocidades de Varo, e cumpriu um papel importante na grande rebelião que estourou no ano de 66 d.C. Essa rebelião foi, talvez, a mais violenta de todas, e conduziu, em suas conseqüências, à destruição de Jerusalém no ano de 70 d.C., quando o general (e depois imperador) Tito conquistou a cidade e derrubou o  Templo.
Em meio a tais lutas e tentações, não é de se estranhar que o judaísmo se tenha tornado cada vez mais legalista. Era necessário que o povo tivesse diretrizes claras acerca de qual deveria ser sua conduta em diversas circunstâncias. Os preceitos detalhados dos fariseus não tinham o propósito de fomentar uma religião puramente externa, mas antes, procuravam aplicar a Lei às circunstâncias que o povo vivia diariamente.
Os fariseus eram o partido do povo, que não gozava das vantagens materiais acarretadas pelo regime romano e helenista. Para eles o importante era assegurar-se de cumprir a Lei, mesmo nos tempos difíceis em que estavam vivendo. Ademais, os fariseus criam em algumas doutrinas que não tinham apoio nas antigas tradições dos judeus, tais como a ressurreição e a existência de anjos.
Os saduceus, por sua parte, eram o partido da aristocracia, cujos interesses os levavam a colaborar com o regime romano. Posto que o sumo-sacerdote pertencia geralmente a essa classe social, o culto do Templo ocupava para os saduceus a posição central que a Lei tinha para os fariseus. Além disso, aristocratas e conservadores como eram, os saduceus rejeitavam as doutrinas da ressurreição e da existência dos anjos, que segundo eles, eram meras inovações.
Além desses partidos, que ocupavam o centro da cena religiosa, havia também outras seitas no judaísmo como os zelotes no qual já nos referimos, os essênios (a quem são atribuídos os rolos do Mar morto), eram um grupo com idéias puristas, que se apartava de todo contato com o mundo dos gentios, a fim de manter sua pureza ritual. Segundo o historiador Joséfo, os essênios sustentavam, além das doutrinas tradicionais do judaísmo, certas doutrinas secretas que lhes estavam vedadas revelar a quem não fosse membro de sua seita.
É interessante ressaltar que esta diversidade de tendências, partidos e seitas, não excluía os pontos fundamentais do judaísmo como o monoteísmo ético e a esperança escatológica.
O monoteísmo ético sustentava que há um só Deus e que este Deus requer, além do culto apropriado, a justiça entre os seres humanos.
A esperança escatológica era outra nota comum de fé. Todos, desde os saduceus até os zelotes, guardavam a esperança messiânica e criam que Deus um dia interferiria na história para restaurar Israel e cumprir suas promessas de um Reino de paz e justiça.

Créditos:
JPSantos, Gonzales, Justo L; A História do Cristianismo, Site: www.todamateria.com.br

 

 

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