A História do Cristianismo – I

0
43

INTRODUÇÃO

O cristianismo é relativamente jovem. Se for comparado à trajetória da raça humana sobre a terra, ele começou há somente uns poucos momentos. Ninguém sabe exatamente quão antigo  o homem. Uma estimativa coloca a presença mais antiga do que pode ser chamado de homem em cerca de 1 milhão e 200 mil anos atrás. Por isso, quando colocado no cenário da civilização humana, o cristianismo é considerado jovem. Estima-se atualmente que a civilização teve início cerca de dez a doze mil anos atrás, durante o último recuo dos lençóis glaciais continentais. Isso significa que o cristianismo está presente durante um quinto ou um sexto somente do pouco tempo de existência da humanidade civilizada.

Índice dos Assuntos

  • Introdução
  • AS RAÍZES DO CRISTIANISMO (2000 a.C – 63 d.C)
  • Período dos Reis
  • Invasão Assíria
  • Invasão Persa
  • Tensão à Vista
  • Palestina

Alguns historiadores de fato consideram que o cristianismo apareceu tarde no desenvolvimento religioso da humanidade. Se baseiam na referência no que diz o Apóstolo Paulo quando declarou que “na plenitude dos tempos Deus enviou seu Filho”. Dizem que pelo fato de que daquelas religiões que têm tido uma difusão geográfica extensa e duradoura, o cristianismo foi o penúltimo que surgiu. A maioria dessas religiões veio à existência nos treze séculos entre 650 a.C. e 650 a.D. Das religiões que sobrevivem, somente o judaísmo e o hinduísmo começaram antes de 650 a.C. Houve aqui um fermento religioso entre os povos civilizados que, dentro de um espaço comparativamente curto de tempo, originou as religiões mais avançadas, as quais têm, desde então, moldado a raça humana.

A Palestina no Novo Testamento

A área cultural em que o cristianismo surgiu, que é a da bacia do Mediterrâneo, foi simplesmente um dos centros da civilização contemporânea e abrangia somente uma minoria da humanidade. É importante que esse fato seja levado em conta se pretendermos ver a história da fé em sua verdadeira perspectiva. Uma vez que durante os últimos 450 anos o Ocidente e sua cultura foram progressivamente dominantes por todo o globo, e visto que em conexão com ele o cristianismo teve a sua expansão mundial. Em vista da circunstância que durante os seus primeiros cinco séculos o cristianismo ganhou a fidelidade professa do Império Romano, que então abrangia o Ocidente, muitos pensam que já nessa época tão antiga ele tenha conquistado o mundo. Isso está totalmente errado. A leste do Império Romano estava o Império Persa, que por séculos lutou contra Roma em pé de igualdade. Seus governadores consideravam o cristianismo de maneira hostil, parcialmente por causa de sua associação com o rival crônico deles, e lutaram contra seu ingresso no domínio deles. A Índia, embora dividida na esfera política, era a sede de uma grande cultura que influenciou a área do Mediterrâneo, mas que, a despeito de seus amplos contatos comerciais, era pouco afetada religiosamente pelo Ocidente. A China tinha toda uma civilização própria. Ao tempo em que o Império Romano se formou, a China estava se unindo num bloco político e cultural sob a dinastia de Chin e Han. Em área, a China era aproximadamente tão grande quanto o Império Romano. Em riqueza e população, ela pode não ter tido o mesmo volume de seu grande contemporâneo ocidental, mas nas realizações culturais ela não devia nada à índia, Pérsia ou Roma.

Nas Américas, havia pequenos começos de Estados civilizados. Em seus primeiros cinco séculos, nem a China nem a América foram alcançadas pelo cristianismo. Essas civilizações, mesmo quando consideradas juntas, ocupavam somente uma pequena porção da superfície da terra. Além delas estavam as grandes massas da raça “primitiva” quase intocadas pelo cristianismo até que os seus primeiros cinco séculos houvessem passado. É sobre esse pano de fundo que devemos ver o surgimento e o desenvolvimento inicial do cristianismo.
A juventude do cristianismo significa que a história que é sintetizada no decorrer deste trabalho, ainda que complexa e rica, atinge somente um pequeno fragmento do espaço total da história da raça humana. Não sabemos com exatidão até onde o cristianismo irá. Sabemos que um dia tudo se findará e Cristo levará sua Igreja para a glória, cumprindo-se as Suas promessas descritas nas Escrituras Sagradas.

AS RAÍZES DO CRISTIANISMO (2000 a.C – 63 d.C)

Israel

A história do cristianismo está profundamente enraizada no passado. Somente examinando as raízes judaicas do cristianismo que podemos entender plenamente a profundidade e a amplitude da fé cristã. O pensamento cristão foi fundamentado e moldado pelos acontecimentos relacionados aos grandes líderes do Antigo Testamento.
A Bíblia é a nossa maior fonte de informações e conhecimento da herança judaica do cristianismo. Além disso, existem muitos indícios arqueológicos e fragmentos escritos remanescentes de outros livros, mas a Bíblia é de longe a mais importante. Abaixo, veremos um breve resumo sobre a história do povo judeu.
A nação de Israel tem sua origem em Abraão, Baseado nos escritos do livro de Gênesis a partir do capítulo 12, onde Deus faz uma aliança com Abraão quando ele tinha 75 anos e partiu para a terra que Deus lhe prometera. Abraão, seu filho Yitshak (Isaac), e seu neto Jacó (Israel), são referidos como os patriarcas dos israelitas. Todos os três patriarcas viveram na terra de Canaã, que mais tarde veio a ser conhecido como a terra de Israel.
O nome Israel deriva o nome dado a Jacó (Gên.32:29). Seus 12 filhos eram os kernels de 12 tribos que mais tarde evoluiu para a nação judaica. O nome judeu deriva de Yehuda (Judá), um dos 12 filhos de Jacó (Ruben, Shimon, Levi, Yehuda, Dan, Naftali, Gade, Aser, Yisachar, Zevulun, Yosef, Binyamin) (Êx. 1: 1). Assim, os nomes Israel, israelense ou judeu se referir a pessoas da mesma origem.
Os descendentes de Abraão cristalizaram-se em uma nação em cerca de 1300 a.C após o seu êxodo do Egito sob a liderança de Moisés (Moshe, em hebraico). Logo após o Êxodo, Moisés transmitiu para as pessoas desta nova nação emergente, a Torá, e os Dez Mandamentos (Êx. 20). Depois de 40 anos no deserto do Sinai, Moisés levou-os para a terra de Israel, que é citado na Bíblia como a terra prometida por Deus aos descendentes dos patriarcas, Abraão, Isaac e Jacó (Gênesis 17: 8).
O Estado de Israel na terra de Israel começa com as conquistas de Josué (cerca de 1250 a.C). Josué foi um grande líder moral e estratégico. Foi com ele que Israel conquistou as terras que lhe foram prometidas por meio da aliança que Deus fez com Abraão séculos antes. Israel foi dividido em 12 tribos e governado por uma série de juízes e, por quase 200 anos os israelitas floresceram sob um governo teocrático, mediado pelas leis que Deus lhe fixara por meio de Moisés.

I – Períodos dos Reis

O período de 1000-587 a.C é conhecido como o “Período dos Reis”. O primeiro rei de Israel foi Saul, que tinha em seu caráter sua principal fraqueza e uma disposição profunda em profanar os locais sagrados da terra de Israel. Após morrer em campo de batalha, Saul foi substituído por Davi (1010-970 a.C), o maior rei de Israel é uma das mais adoráveis figuras da Bíblia. Seu relacionamento íntimo e fiel a Deus está registrado em diversos hinos encontrado no livro de Salmos. Davi foi sucedido por seu filho Salomão (970-931 a.C) que, embora de grande habilidade e sabedoria, se desviou de sua elevada liderança moral e obediência a Deus, preferindo o narcisismo e a avidez pelo prazer físico. No final de seu reinado, Israel se viu dividido em um grande conflito político e, após a morte de Salomão, a nação foi dividida em dois reinos: Israel, no Norte, e Judá, ao sul. Israel era o reino maior e representava dez tribos, enquanto Judá representava apenas duas tribos.

II – Invasão Assíria

Em 722 a.C, os assírios invadiram e destruíram o reino do Norte, dispersando a população e fixando estrangeiros na terra. E, em 597 a.C, Judá foi invadido pelos babilônicos sob seu poderoso rei, Nabucodonosor. Dez anos depois em 586, Judá se rebelou e Nabucodonosor ordenou a destruição de Jerusalém, arrasou o Templo e levou a maior parte da população ao exílio.

Maquina de Guerra Assíria

Depois que Nabucodonosor morreu, o império babilônico caiu em declínio e logo foi conquistado por Ciro da Pérsia. Ciro baixou um decreto que permitia aos povos cativos regressar as suas terras natais e em 539 a.C, cerca de 50.000 judeus retornaram à Palestina.
A volta dos exilados foi vista como ameaça por parte dos que estavam na terra, e a mistura de raças entre a população que havia ficado criou conflitos e mútua rejeição dos que chegavam de volta à sua terra. Mas nada impediu que a comunidade se reorganizasse ao redor do Livro da Lei e firmasse seus valores essenciais.
Esse é um período é muito rico, pois apresenta os livros bíblicos que foram escritos nessa época. Eles descrevem o questionamento e a resistência que se formou contra a excessiva exigência de não serem aceitas pessoas estrangeiras no meio do povo e contra a opressão do povo a partir do Templo. Esses livros, abrem a mensagem bíblica para todos os povos e retratam a nova compreensão, mais abrangente e universal, que os sábios da Bíblia passam a ter de Deus e de seu projeto.

III – Invasão Persa

As grandes potências vão durar para sempre? O poder de suas armas, o controle da comunicação e da economia são tão fortes que parece impossível derruba-las. Assim era a Babilônia senhora do Oriente Médio, fascinava por seu esplendor, jardins suspensos, largas avenidas, templos, construções. Nada levava a crer que, 50 anos mais tarde, os babilônios não seriam mais os donos do mundo. Quem passa hoje por suas ruínas pode constatar o que Jeremias e Isaías haviam profetizado: “Suas cidades ficaram desoladas como terra seca e deserta, terra que ninguém habita, que nenhum mortal atravessa” (Jr 51,43). “Nunca mais será habitada; gerações após gerações, ela não será jamais ocupada. Aí se abrigarão os animais do deserto: as casas da cidade estarão povoadas de corujas; ai vão dormir filhotes de avestruz… A hora da Babilônia está chegando, os seus dias não serão prorrogados” (Is 13,20-22). Um grande império opressor não é eterno, mas é substituído por outro. Nesse vaivém dos impérios, os povos oprimidos podem ter esperança? Como?
No ano 537 a.C a agonia dos judeus chega ao fim, e novos ventos começaram a soprar. Em quase cinquenta anos de desterro, os Judeus tinham perdido tudo, mas nunca a esperança. A esperança em Deus era muito forte. “Ele vai enviar um libertador à altura de Moisés”, assim esperavam os exilados na Babilônia. Mas Deus tem seus planos, que nem sempre são iguais aos nossos. Uma olhada no panorama internacional nos ajudará a compreender como se deram os fatos.

Império Persa

No ano 539 a.C o rei da Pérsia, Ciro, conquistou, sem nenhuma resistência, o território do império babilônico formando assim o maior império do Oriente. Pelo seu respeito à cultura e às tradições religiosas, Ciro impôs confiança aos povos que foi conquistando, tanto que alguns grupos babilônicos que discordavam da política oficial saudaram Ciro, a ponto de um sacerdote babilônico afirmar: “Na Babilônia reina alegria”.
A troca de dominador foi festejada também pelos povos dominados e, de modo especial, pelos judeus exilados que viam com bons olhos o senhor do novo império. Diferente dos outros dominadores (assírios e babilônicos), os persas eram mais tolerantes e adotavam política de respeito para com todos os seus dominados. Um sinal indicativo desse respeito é o uso da língua do povo dominado nas inscrições régias e na correspondência oficial. Na Síria e na Palestina, os decretos e as inscrições vinham na língua aramaica, conhecida e falada na região.
Com a tomada da Babilônia, a Pérsia tornou-se o maior império do Oriente. Judá continuava dependente e o povo exilado descobriu-se como uma pequena comunidade étnica perdida no vasto império em meio a muitas raças. Era obrigado a continuar aceitando um rei estrangeiro que lhe ditava normas e leis, era vigiado por um exército que controlava o pagamento dos tributos e impostos. Judá não decidia mais seu destino, nem via possibilidade de uma independência política num futuro próximo.
Assim que tomou o poder, Ciro emitiu um decreto permitindo que os exilados retornassem aos seus países e reconstruíssem suas cidades e seus muros. A política do persa Ciro dava certas garantias de autonomia para os povos vencidos que desejassem retomar ao seu país de origem. No caso dos Judeus, mandou restituir imagens e objetos sagrados que haviam sido espoliados na dominação dos babilônios e favoreceu a reconstrução do templo de Jerusalém que tinha sido danificado (Esdras 1,2-4).
A destruição da nação, em 586, causou certa desintegração social, principalmente porque os líderes foram levados cativos. Muitas comunidades continuaram a se organizar mesmo longe da terra de Israel. A esse processo lento deu-se o nome de diáspora, para se referir aos judeus que viviam fora de Israel. Isso fez criar a consciência de que Deus Javé podia agora ser celebrado em terras longínquas, distante do centro principal do culto, que era o Templo de Jerusalém.
Ao mesmo tempo, os exilados sabiam que a reconstrução do Templo tinha um significado quase “messiânico”. Simbolizaria a garantia eterna da unidade recuperada, motivo capaz de trazer de volta os judeus dispersos pelo Exílio.

IV – Tensão à vista

As brigas e tensões não foram poucas. Em 586 a.C. muitos tiveram que deixar tudo às pressas para serem deportados para uma terra estrangeira. Suas propriedades foram confiscadas. Com a anistia do rei Ciro (538) e com o retorno das famílias à Palestina abriu-se um novo capítulo. Os antigos donos começaram a reclamar a posse de seus bens antes confiscados. Os exilados sentiam-se no direito de retomar as antigas posses que seus avós e ancestrais foram obrigados a abandonar antes de seguir para o cativeiro da Babilônia. Acontece que ao chegar na Palestina perceberam que grandes mudanças haviam ocorrido. Aqueles que permaneceram, naturalmente tomaram posse das propriedades e mantiveram a terra produzindo. Formavam um contingente de camponeses, conhecidos mais tarde como “povo da Terra”. A eles se misturavam ainda outros estrangeiros e samaritanos que retornaram de Nínive. Esse encontro, entre antigos donos que retomaram do cativeiro e os que já estavam nas suas propriedades, acabou gerando os primeiros conflitos na terra.
As caravanas que regressavam do exílio traziam as classes de dirigentes e lideranças judaicas: membros da antiga corte, sacerdotes e levitas, artesãos, intelectuais e escribas. A atuação dessa elite judaica foi determinante para a reorganização da nação com bases na reelaboração da Lei de Moisés.

Deserto da Judéia

Uma das primeiras tarefas desse primeiro grupo era a reconstrução do altar de sacrifícios (Esdras 3,2-3), mas o povo estava mais interessado em readquirir as terras de seus antepassados e construir suas próprias casas (Ageu 1,2-4) do que trabalhar para reconstruir a cidade e o Templo. Essa tarefa coube, anos mais tarde, a Zorobabel e Josué a partir de 520 a.C, uma vez que Sasabassar não conseguiu ir muito além da reconstrução do altar e do lançamento dos fundamentos do segundo templo (Esdras 3,6-13 e 5,14-16).
Nesse período, o nome “Israel” não era mais uma referência à organização tribal. Nem era uma alusão à época do reinado unido sob Davi e Salomão. Muito menos se referia ao Reino do Norte, que também já não existia mais. “Israel” passou a ser a comunidade judaica que se reunia no templo de Jerusalém, tendo uma identidade comum (Esdras 2,2). Deve-se incluir nessa comunidade cultual, os deportados da Babilônia (Esdras 7,13). Dessa forma, excluíam especialmente os israelitas pertencentes às tribos do Norte, também chamados de samaritanos, ou os judeus que não foram expatriados, chamados pejorativamente de “povo da terra”
Nos Livros de Esdras e Neemias, “povo da terra” ou “povos da terra” é uma referência não só aos pobres do campo que não haviam sido deportados, mas também aos povos estrangeiros misturados com eles. Mais tarde, “povo da terra” passou a ser também quem não conhecia a lei judaica e, por essa razão, também não a cumpria. Eram desprezados pelos fiéis cumpridores da Lei. É ao povo da terra, mais tarde, samaritanos.
O período persa destacou-se pelos seus projetos de reconstrução da Judéia, de modo especial de Jerusalém. Estes, sem dúvida, reacenderam a alegria e as esperanças nos exilados de recomeçar a vida na sua própria terra. Um sonho muito difícil de ser concretizado. A destruição das cidades da Judéia, do Templo, de Jerusalém e de suas muralhas deu-se no ano 586. Sua reconstrução foi lenta e difícil, à custa de muito sacrifício. Na verdade, atrás dos projetos de reconstrução escondiam-se os projetos expansionistas da Pérsia, que desejava chegar até o Egito, tendo em vista a ampliação da dominação econômica com a cobrança de tributos. Para isso, ela precisava conquistar a simpatia do povo de Judá, tomar conhecimento da sua realidade e tê-los como aliados e súditos.
Sasabassar foi o primeiro chefe de caravanas que veio com um grupo de exilados e com a autorização da Pérsia para devolver os objetos de culto e reconstruir o Templo de Jerusalém (Esdras 1,8-11). Encontrou oposição e apenas conseguiu o lançamento da pedra fundamental (Esdras 5,14-16).
Com a morte de Ciro, assume seu filho Cambises, que continuou o intento expansionista do pai chegando até o Egito, mas teve de retomar devido aos conflitos internos na sede do império; morreu em consequência deles.
Dario I, depois de muita luta, impôs-se em 521 a.C., consolidando o império persa. Incentivou a reconstrução do Templo, a qual foi levada adiante por Zorobabel, apoiado pelos profetas Ageu e Zacarias. O Templo foi reinaugurado em 515 a.C., mas sem a presença de Zorobabel e do profeta Ageu. Não se sabe ao certo qual foi o fim deles.
O domínio persa no Oriente Médio chegou ao seu fim quando o exército de Dario III sucumbiu em Isso (333 a.C.) ante as forças de Alexandre Magno (356-323 a.C.). Ali começou a hegemonia do helenismo, que se manteve até 63 a.C. e que entre os seus sucessos contou com o estabelecimento de importantes vínculos entre Oriente e Ocidente. Mas as rivalidades surgidas entre os sucessores de Alexandre (os Diádocos) impediram o estabelecimento de uma unidade política eficaz nos territórios que ele havia conquistado.

V – Palestina

Alexandre – O Grande

A Palestina é a região onde o cristianismo deu os seus primeiros passos. Terra sofrida, principalmente por causa de sua localização geográfica, que a colocava na encruzilhada de grandes rotas comerciais que uniam o Egito à Mesopotâmia, e a Arábia com a Ásia menor. No século IV a.C, com Alexandre e suas hostes macedônicas, um novo contendente entrou na arena. Ao derrotar os persas, Alexandre se fez dono da Palestina. Após a morte de Alexandre no ano de 323 a.C., seguiram-se longos anos de instabilidade política. A dinastia de Ptolomeus, fundada por um dos generais de Alexandre, se apoderou do Egito, enquanto que os Selêucidas, se fizeram donos da Síria. E, é claro que isso veio a ser motivo de discórdia entre os Ptolomeus e Selêucidas.
As conquistas de Alexandre tiveram uma base ideológica. O propósito de Alexandre não era só de conquistar o mundo, porém ele queria unir toda humanidade em uma única civilização de tendências totalmente grega. O resultado disto foi o helenismo (já citado acima), que tendia a combinar elementos puramente gregos com outros tomados de diversas civilizações conquistadas.
Mas para os judeus o helenismo era uma maldição, visto que parte da ideologia do helenista consistia em equiparar e confundir os deuses de diversos povos e, portanto, seria uma séria ameaça à fé no Deus único de Israel. Isso resultou em conflitos constantes entre os adeptos ao helenismo e os judeus, que se estendeu desde a conquista de Alexandre até o ano de 70 d.C.
O ponto culminante dessa luta foi a rebelião dos Macabeus. Primeiro o sacerdote Matatias e depois seus três filhos Jônatan, Judas e Simeão, se rebelaram contra o helenismo dos Selêucidas, que pretendiam impor deuses pagãos entre os judeus. O movimento teve suas vitórias. Mas João Hircano, o filho de Simeão Macabeus, começou a adaptar-se aos costumes dos povos circunvizinhos e a favorecer as tendências helenistas. Quando alguns dos judeus mais restritos se opuseram a esta política, rompeu-se a perseguição. Por fim, no ano de 63 a.C. o Romano Pompeu conquistou o país e depôs o último dos Macabeus, Aristóbulo II.

Bibliografia

F. Moore, History of religions (Nova York: Charles Scribners Sons, 2 vols., 1913-1919).
JPsantos –  Novembro – 2017

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui