A História do Cristianismo – II

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Conflitos na Palestina

A política dos romanos era, em geral, tolerante em relação à religião e aos costumes dos povos conquistados. Pouco tempo depois da deposição de Aristóbulo, os romanos devolveram aos descendentes dos Macabeus certa medida de autoridade, dando-lhes os títulos de sumo-sacerdote e etnarca. Herodes, nomeado rei da Judéia no ano 40 a.C., foi o último governante com certa ascendência macabéia, pois sua esposa era dessa linhagem. Mas até a própria tolerância dos romanos não podia compreender a obstinação dos judeus, que insistiam em render culto somente ao seu Deus e que se rebelaram ante a menor ameaça contra sua fé. Herodes fez todo o possível para introduzir o helenismo no país. Com esse propósito fez construir templos em honra a Roma e a Augusto em Samaria e Cesaréia. Mas, quando se atreveu a colocar uma águia de ouro na entrada do Templo, os judeus se revoltaram e Herodes teve que recorrer à violência.

Mapa do Império Romano

Por esta razão as rebeliões sucederam quase que ininterruptamente. Jesus era menino quando os judeus se rebelaram contra o etnarca Arquelau, que teve que recorrer às tropas romanas. Essas tropas, sob o comando do general Varo, destruíram a cidade de Séforis, capital da Galileia e vizinha de Nazaré, e crucificaram dois mil judeus. É a esta rebelião que se refere Gamaliel ao dizer que “levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e levou muitos consigo” (Atos 5:37). O partido dos zelotes, que se opunha tenazmente ao regime romano, continuou existindo depois das atrocidades de varo, e cumpriu um papel importante na grande rebelião que estourou no ano de 66 d.C. Essa rebelião foi, talvez, a mais violenta de todas, e conduziu, em suas conseqüências, à destruição de Jerusalém no ano de 70 d.C., quando o general (e depois imperador) Tito conquistou a cidade e derrubou o Templo.
Em meio a tais lutas e tentações, não é de se estranhar que o judaísmo se tenha tornado cada vez mais legalista. Era necessário que o povo tivesse diretrizes claras acerca de qual deveria ser sua conduta em diversas circunstâncias. Os preceitos detalhados dos fariseus não tinham o propósito de fomentar uma religião puramente externa, mas antes, procuravam aplicar a Lei às circunstâncias que o povo vivia diariamente.
Os fariseus eram o partido do povo, que não gozava das vantagens materiais acarretadas pelo regime romano e helenista. Para eles o importante era assegurar-se de cumprir a Lei, mesmo nos tempos difíceis em que estavam vivendo. Ademais, os fariseus criam em algumas doutrinas que não tinham apoio nas antigas tradições dos judeus, tais como a ressurreição e a existência de anjos.
Os saduceus, por sua parte, eram o partido da aristocracia, cujos interesses os levavam a colaborar com o regime romano. Posto que o sumo-sacerdote pertencia geralmente a essa classe social, o culto do Templo ocupava para os saduceus a posição central que a Lei tinha para os fariseus. Além disso, aristocratas e conservadores como eram, os saduceus rejeitavam as doutrinas da ressurreição e da existência dos anjos, que segundo eles, eram meras inovações.
Além desses partidos, que ocupavam o centro da cena religiosa, havia também outras seitas no judaísmo como os zelotes no qual já nos referimos, os essênios (a quem são atribuídos os rolos do Mar morto), eram um grupo com idéias puristas, que se apartava de todo contato com o mundo dos gentios, a fim de manter sua pureza ritual. Segundo o historiador Joséfo, os essênios sustentavam, além das doutrinas tradicionais do judaísmo, certas doutrinas secretas que lhes estavam vedadas revelar a quem não fosse membro de sua seita.
É interessante ressaltar que esta diversidade de tendências, partidos e seitas, não excluía os pontos fundamentais do judaísmo como o monoteísmo ético e a esperança escatológica.
O monoteísmo ético sustentava que há um só Deus e que este Deus requer, além do culto apropriado, a justiça entre os seres humanos.
A esperança escatológica era outra nota comum de fé. Todos, desde os saduceus até os zelotes, guardavam a esperança messiânica e criam que Deus um dia interferiria na história para restaurar Israel e cumprir suas promessas de um Reino de paz e justiça.

O Século Primeiro

A igreja de Jerusalém

A Igreja Primitiva

O livro de Atos nos dá a entender que houve, desde o inicio, uma forte igreja em Jerusalém. Mas, depois dos primeiros capítulos, esse mesmo livro nos diz muito pouco acerca daquela comunidade original. Todavia entendo que o autor de Atos não tinha a intenção de escrever a história da igreja, mas sim mostrar como, por obra do Espírito Santo, a nova fé foi se estendendo até chegar à capital do Império.
Isto quer dizer que, ao tentarmos reconstruir a vida e a história daquela primeira igreja, teremos uma desafortunada escassez de dados. Porém, lendo cuidadosamente o Novo Testamento, e verificando outros pormenores que nos oferecem outros autores dos primeiros séculos, podemos fazer uma ideia do que foi aquela comunidade cristã.
Na igreja primitiva, os dirigentes eram os doze apóstolos, embora tudo pareça indicar que Pedro e João eram os principais. Ao menos, é sobre eles que se centraliza a atenção em Atos, e Pedro e João são dois dos “pilares“a que se refere Paulo em Gálatas 2:9.
Além dos doze, entretanto, Tiago, irmão do Senhor, gozava também de grande autoridade. Ainda que Tiago não fosse um dos doze, Jesus havia se manifestado a ele pouco depois da ressurreição (I Cor. 15:7), e Tiago havia se unido aos discípulos, onde logo gozou de grande prestigio e autoridade. Segundo Paulo ele era o terceiro “pilar” da igreja de Jerusalém e, portanto, em certo sentido, parece haver estado acima de alguns dos doze.
Neste período, entretanto, aumentou a perseguição contra todos os cristãos em Jerusalém. O imperador Calígula havia dado o título de rei a Herodes Agripa, neto de Herodes O Grande, a qual fez matar Tiago o irmão de João – que não deve ser confundido com o irmão de Jesus – e ao ver que isto agradou aos súditos fez encarcerar também Pedro, que escapou milagrosamente. No ano 62, Tiago (agora sim, o irmão de Jesus), chefe da igreja, foi morto por iniciativa do sumo sacerdote e ainda contra a oposição de alguns fariseus.
Com efeito, nessa época o nacionalismo judeu estava no seu auge, e logo, eclodiria a rebelião que culminaria a destruição de Jerusalém no ano 70. Os cristãos confessavam seguidores de alguém que havia sido morto e crucificado pelos romanos, e que pertencia a linhagem de Davi. Ainda mais, depois da morte de Tiago, o irmão do Senhor, aquela antiga igreja continuou sendo dirigida pelos parentes de Jesus, e a chefia passou a Simeão, que pertencia à mesma linhagem. Portanto, esse movimento judeu, que seguia a um homem julgado como malfeitor, e dirigido por pessoas da linhagem de Davi, tinha de parecer suspeito diante dos olhos romanos. Pouco tempo depois alguém acusou Simeão como descendente de Davi e como cristão, e este novo dirigente da igreja judaica sofreu o martírio.  O resultado de tudo isso foi que a velha igreja de origem judaica, rejeitada tanto por judeus como por gentios, viu-se relegada cada vez mais às regiões recônditas e desoladas.

Os apóstolos: feitos e lendas

Deste datas muito antigas começaram a aparecer tradições que afirmavam que tal apóstolo havia estado em tal lugar, ou que havia sofrido martírio de uma forma ou de outra.
De todas estas tradições, provavelmente a que é mais difícil de por em dúvida é a que afirma que Pedro esteve em Roma e que sofreu o martírio nessa cidade durante a perseguição de Nero. Este fato encontra testemunhos reais em vários escritores cristãos dos fins do primeiro século e de todo o século segundo, e deve ser aceito como historicamente certo.
O caso do apostolo Paulo é um caso mais complexo. O livro de Atos o deixa pregando em Roma com relativa liberdade. Todos os testemunhos antigos concordam em que o apóstolo morreu em Roma – provavelmente decapitado – durante a perseguição de Nero. Mas há também vários indícios de que Paulo realizou outras viagens posteriores ao que se conta em Atos; entre elas uma para a Espanha. Isto tem levado a alguns estudiosos a supor que, depois dos acontecimentos que são narrados em Atos, Paulo foi posto em liberdade, e continuou viajando até que foi encarcerado de novo e morto durante a perseguição de Nero. Esta explicação é verossímil, embora não haja suficientes dados para assegurar sua exatidão.
Existem outras tradições como a de São Tiago na Espanha, a de São Tomé na Índia e que por hora não nos ocuparemos nestes tópicos devido ao nosso pouco espaço neste trabalho.

A perseguição sob Nero

Nero chegou ao poder em outubro do ano de 54, graças às intrigas de sua mãe Agripina, que não vacilou ante o assassinato em seus esforços para assegurar a sucessão do trono em favor de seu filho. A princípio Nero não cometeu os crimes pelos quais ficou conhecido. Mas pouco a pouco o jovem imperador se deixou levar por seus próprios afãs de grandeza e poder. Dez anos depois de chegar ao trono, Nero já era desprezado por boa parte do povo, e também pelos poetas, a cujo número Nero pretendia pertencer sem ter os dons para isso. Todos que se opunham à sua vontade, ou morriam misteriosamente, ou recebiam ordens de se suicidar. Quando a esposa de um de seus amigos lhe agradou, simplesmente enviou seu amigo a Portugal, e tomou a mulher para si. Estes fatos faziam com que o povo sempre esperasse o pior de seu soberano.
Assim estava as coisas quando, na noite de 18 de julho do ano 64, estalou um enorme incêndio em Roma. O fogo durou seis dias e sete noites e depois voltou a se acender em diversos lugares durante mais três dias. Em meio a todo esse sofrimento, o povo exigia que se descobrisse o culpado, e não faltava quem se inclinasse a pensar que o próprio imperador havia ordenado o incêndio. De acordo com os rumores, Nero havia passado boa parte do incêndio no alto da torre de Mecenas, no cume do Palatino, vestido como um ator de teatro, tangendo sua lira e cantando versos acerca da destruição de Tróia. Nero fez tudo que podia para afastar tal suspeita. Porém todo o seu esforço seria inúteis enquanto não fosse apontado um culpado.  Para complicar, dois dos bairros que não tinha sido atingido pelo fogo, eram zonas da cidade em que havia mais judeus e cristãos. Portanto, o imperador pensou que seria mais fácil culpar os cristãos.
O historiador Tácito parecia crer que o fogo fora um acidente, portanto, a acusação feita contra os cristãos seria falsa. Ele mesmo nos conta como foi a perseguição aos cristãos por causa do incêndio:

    Além de matá-los, fê-los servir de diversão para o público. Vestiu-os de pele de animais para que os cachorros os matassem a dentadas. Outros foram crucificados. E a outros acendeu-lhes fogo ao cair da noite, para que a iluminassem. Tudo isso fez com que despertasse a misericórdia do povo, mesmo contra essas pessoas que mereciam castigo exemplar, pois via-se que eles não eram destruídos para o bem público, mas para satisfazer a crueldade de uma pessoa (Anais 15:44).

    Ainda que, a princípio, os cristãos fossem acusados de incendiários, tudo parece indicar que logo começou a haver perseguição pelo simples fato de serem cristãos.
Mas no ano de 68 boa parte do império se rebelou contra o tirano e o senado romano o depôs. Sem ter para onde ir, Nero se suicidou. Muitas de suas leis foram abolidas, porém, seu edito contra os cristãos continuou em vigor, porém, de imediato, ninguém se ocupou a perseguir os cristãos.
Por fim Vespasiano sucedeu Nero e, logo em seguido o seu filho Tito, o mesmo que no ano 70 havia tomado e destruído Jerusalém ficou em seu lugar.
No ano de 81 Domiciano sucedeu ao imperador Tito. A princípio, seu reinado foi tão benigno à nova fé como o haviam sido seus antecessores. Mas no final, desatou-se outra perseguição aos cristãos.

O Século Segundo

Inácio de Antioquia: O portador de Deus

No ano de 107, por motivos que desconhecemos, o ancião e bispo de Antioquia, Inácio foi acusado ante as autoridades e condenado a morrer por ter negado a adorar os deuses do Império.
A caminho do martírio, Inácio escreveu sete cartas que constituem um dos mais valiosos documentos do cristianismo antigo, o qual será citado outras vezes neste trabalho, quando falarmos da vida cotidiana e do pensamento da igreja nos princípios do século segundo.   Inácio Nasceu provavelmente por volta do ano 30 35, e, portanto, já era ancião quando selou sua vida com o martírio. Em suas cartas, ele mesmo nos dizia que levava o apelido de “Portador de Deus”, o que nos mostra o respeito que possuía na comunidade cristã. Séculos mais tarde, baseado em uma pequena mudança no texto de suas cartas, começou a se falar de Inácio como “Levado por Deus”, e surgiu assim a lenda de que Inácio foi o menino a quem Jesus tomou e colocou em meio às pessoas que o rodeavam. Em todo caso, Inácio gozava de grande autoridade em toda a igreja no principio do segundo século, pois era o segundo bispo de uma das mais antigas comunidades cristãs.
Não temos informação acerca de sua prisão, nem de quem o acusou. Tudo o que sabemos é o que ele mesmo nos diz ou nos dá a entender em suas cartas. Em todo caso, por alguma razão, Inácio foi detido, julgado e condenado a morrer em Roma.  Logo depois de sua condenação, Inácio deixou uma frase que, de igual modo, porem em diferentes formas, se repetiria em muitas vezes mais:

    “Agora que enfrento o sacrifício supremo, é que começo a ser discípulo e, portanto, a única coisa que quero que os romanos peçam por mim, não é a liberdade, mas sim força para enfrentar a toda prova, para não somente me chamarem de cristão, mas que também me comporte como tal. Meu amor está crucificado (…) Não me agrada mais a comida corruptível (…), mas quero o plano de Deus, que é a carne de Jesus Cristo (…) e seu sangue quero beber, que é bebida incorruptível. Porque quando eu sofrer, serei livre em Jesus Cristo, e com Ele ressuscitarei em liberdade. Sou trigo de Deus, e os dentes das feras hão de me moer, para que possa ser oferecido como pão limpo de Cristo”.

O martírio de Policarpo

Era o ano de 155 e ainda estava vigente a mesma política que Trajano havia indicado ao seu governador Plínio. Policarpo era bispo de Esmirna quando um grupo de cristãos foi acusado e condenado pelos tribunais. Segundo consta aplicaram-lhes os mais dolorosos castigos e nenhum deles se queixou de sua sorte. Por fim, coube ao ancião Germânico se apresentar diante do tribunal, e quando lhe foi dito que tivesse misericórdia de sua idade e abandonasse a fé cristã, Germânico respondeu, dizendo que não queria viver seguindo num mundo em que se cometiam injustiças, e unindo a palavra ao feito, incitou às feras para que o devorassem mais rapidamente.
O valor do desprezo de Germânico enfureceu a multidão, que começou a gritar: “Que morram os ateus!” – Isto é: os que se negam a crer em nossos deuses – e “Que tragam Policarpo!”.
Quando Policarpo soube que o buscavam, saiu de sua cidade e se refugiou em uma fazenda das cercanias. Depois de alguns dias, quando o povo estava a ponto de o encontrá-lo, fugiu para outra fazenda. Mas quando soube que um dos que tinham ficado para traz o delatara, o bispo ancião decidiu deixar de fugir e aguardar os que o perseguiam.
Quando o levaram diante do procônsul, este tratou de persuadi-lo, dizendo-lhe que pensasse em sua idade avançada e adorasse o imperador. Quando policarpo negou-se a fazê-lo, o juiz pediu que gritasse: “Abaixo os ateus”. Ao sugerir isto, o juiz se referia aos cristãos, que eram tidos por ateus. Mas Policarpo, apontando em direção a multidão, disse: “ Sim, abaixo os ateus!”.
De novo o juiz insistiu, dizendo-lhe que se jurasse pelo imperador e maldissesse a Cristo ficaria livre. Mas policarpo respondeu:

    “Vivi oitenta e seis anos servindo-lhe, e nenhum mal me fez. Como poderia eu maldizer ao meu Rei, que me salvou?”.

Por fim, quando o juiz o ameaçou, primeiro com as feras, e depois com ser queimado vivo, Policarpo respondeu que o fogo que o juiz podia acender duraria somente um momento, e logo se apagaria, mas que o castigo eterno nunca se apagaria.
Vendo a firmeza de Policarpo, o juiz ordenou que o ancião fosse queimado vivo e toda a população saiu a apanhar ramos para preparar a fogueira.
Amarrado e já em meio da fogueira, e quando estavam ao ponto de acender o fogo, Policarpo elevou os olhos ao céu e orou em voz alta:

    Senhor Deus Soberano (…) dou-te graças, porque me consideraste digno deste momento, para que, junto a teus mártires, eu possa ser parte no cálice de Cristo. (…) Por isso te bendigo e a Ti glorifico. (…) Amém.

Existia duas questões nessa época que mais perturbavam os cristãos: se era lícito ou não entregar espontaneamente para sofrer o martírio. O autor das atas do martírio de policarpo nos diz que só são válidos os martírios que tiveram lugar por vontade de Deus, e não dos próprios mártires.
A razão porque o autor das atas insiste tanto na necessidade de que seja Deus quem escolha aos mártires era que havia quem acusava a si mesmo a fim de sofrer o martírio. Tais pessoas, se chamavam “espontâneos”, eram, às vezes, pessoas de mentes desequilibradas que não a firmeza para resistir às provas que vinham sobre elas, e que acabavam por se acovardar e renunciar sua fé no momento supremo.
Mas nem todos concordavam com o autor das atas do martírio de Policarpo. Em um documento da mesma época, a “Apologia” de Justino Mártir, onde se narra que no juízo de um cristão se apresentaram outros dois para defendê-lo, e por conseqüência foram três os que morreram como mártires. Justino não oferece a menor indicação de que o martírio dos dois “espontâneos” não tenha sido tão valioso como o do cristão que foi acusado ante os tribunais.

Justino Mártir

Justino tinha uma escola em Roma, onde lecionava o que ela chamava de “a verdadeira filosofia”, isto é, o cristianismo. Havia um filosofo a qual se chamava por Cínico Crescente, que o desafiou a um debate do qual o cristianismo saiu, sob todos os sentidos, vencedor, e ao que parece Crescente tomou vingança acusando seu adversário ante os tribunais. Em todo caso, no ano de 163, Justino e seis dos seus discípulos foram levados diante do prefeito Junior Rústico, que havia sido um dos mestres filosóficos do imperador. Depois de varias tentativas de convencê-los a mudar de opinião, o prefeito ordenou que fossem levados ao lugar de suplicio, onde primeiro os açoitaram e logo foram decapitados.

O martírio de Blandina

Podemos destacar também o martírio de Blandina, uma mulher frágil por quem temia seus irmãos. Quando lhe chegou o momento da tortura, mostrou tal resistência que os verdugos tinham de se alternarem. Quando vários dos mártires foram levados ao circo, Blandina foi pendurada num madeiro em meio deles, e dali ela os encorajava. Como as feras não a atacavam, os guardas a levaram de novo ao cárcere. Por fim, neste dia de tão bárbaros espetáculos, Blandina foi torturada em público de diversas maneiras. Primeiro a açoitaram; depois a fizeram ser mordida por feras; em seguida fizeram-na assentar-se em um assento de ferro quente; e ainda a encerraram em uma rede e fizeram com que um touro bravio a chifrasse. Como em meio de tais tormentos Blandina seguia firme em sua fé, finalmente as autoridades ordenaram que fosse degolada.
Estes são alguns exemplos de martírios que tiveram lugar na época de Marco Aurélio. Há outros que poderíamos citar, porém o nosso espaço é pequeno neste trabalho, porem temos a certeza de todos sem exceção, estão indelevelmente escritos no livro da vida.

O final do segundo século

Marco Aurélio morreu no ano 180, e lhe sucedeu Cômodo, que havia governado juntamente com Marco Aurélio a partir de 172. Ao que parece, a tempestade amainou sob o novo imperador, ainda que continuassem os martírios esporádicos. Por fim, Sétimo Severo se apoderou do poder. No principio do seu governo continuou a relativa paz da igreja, mas depois, o novo imperador uniu-se à grande lista de governantes que perseguiam o cristianismo. Portando, a tarefa de desmentir os rumores que circulavam acerca dos cristãos, e de apresentar a nova fé da melhor maneira possível, era questão de vida ou morte. A essa tarefa se dedicaram alguns dos melhores pensadores com quem a igreja contava.

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